07 outubro 2006

Monumentos de Parambos, Fontenário

Hoje vamos falar de um monumento de Parambos.
O Fontenário.
O Fontenário é um hino à água. criado em 1927, para dar dignidade à água que vinha do lugar da Poça, e trazia o cantar corrente das águas da serra até ao Chôpo, centro da aldeia, onde era recolhida pelas gentes da aldeia nos seus canecos ou cântaros e daqui para o remanso das suas casas.
Composto por quatro troncos de pedra que o ladeiam e dão solidez, um "altar" onde se colocavam os canecos para recolher a água, uma espécie de arco maciço de pedra encimado por duas taças e uma representação humana
.
O Fontenário era um local de encontro das mulheres ou raparigas, pois era a elas que cabia a tarefa de carretar a água. No Verão a água escasseava e só se abria o depósito num certo período, era preciso guardar a sua vez. Os tempos de espera chegavam a ser grandes, mas ninguém queria perder a sua vez assim ficavam por ali a cavaquear como só elas sabiam e não admitiam homem por perto.
Dos autores desta obra ninguém se lembra. A figura representada dizem ser O Parambos.
O Fontenário enquadra um largo, chamado Chôpo e localiza o centro da Aldeia. Também existiu em tempos um potente negrilho que dava sombra ao lugar. O velho negrilho não resistiu ao passar do tempo, hoje está lá uma pequena árvore que tenta crescer.
No trabalho a óleo, de Li Malheiro, aqui apresentado ainda se pode ver para além do fontenário o tal negrilho e a mesa de pedra onde se jogavam as cartas nos dias de sesta.
Hoje já todos têm água em casa, mas o monumento lá está para nos lembrar de que nem sempre foi fácil ter a água à mão.
Uma preocupação actual do Mundo é que a devemos poupar, a àgua, claro!
Atentamente.
At Ento

18 comentários:

miguel disse...

ola malta ,pois é at ento ,ao ler este teu pequeno texto ,percebi k o tempo as vezes rouba-nos da memória muitos dos momentos mais felizes da nossa vida ,k sao para mim a inocensia,a alegria ,a liberdade e a despreocupaçao da nossa infancia,e alguns desses momentos foram passados a brincar debaixo desse lindo negrilho, do largo do chopo, ao pé da fonte do Parambos.abraços

Xo_oX disse...

Gostei de ler de ver a fotografia do fontanário e principalmente o quadro. Gostava de ver o artista de novo com os dedos sujos do pastel a "retratar" pedaços de Parambos ou Carrazeda.
Ficamos à espera.

Atento disse...

Olá Miguel.
Bonitas as tuas palavras.
Parabéns por dares importância às coisas que vivem apesar de tudo na memória. Coisas simples como a liberdade de brincar à sombra de uma árvore. Sabes que ainda há muitas crianças pelo mundo fora que não têm nem liberdade nem sombra? e muitas têm tudo isso e não dão valor. Mas o nosso Negrilho era de facto um monumento.
Um abraço
Atentamnete.
At Ento.

Atento disse...

Olá Caro amigo XO_OX.
Foi bom voltar a ver-te por cá. O Blog vai lentamente tomando forma. Já temos um contador, deu uma trabalheira mas lá consegui.
O que dizes sobre o artista, esperamos que ele leia o teu apelo, pois ao redor de Parambos há sempre um tema a merecer uma pincelada. Mas ele continua a mandar-nos é fotos.
Já tens rotinas aí pelas terras de D. Dinis?
Um abraço
Atentamente.
At Ento

ViceVersa disse...

Pois, os homens não íam à água, a não ser que fosse para beber na altura ou para os animais. Caso contrário, era notado.
Lembram-se quando vieram os alemães e o homem até ía lavar aos tanques? Foi um pequeno choque. Tinha desculpa porque era de fora e, para além disso, sempre era um motivo de conversa e controvérsia, o que calha sempre bem.

Atento disse...

Olá Viceversa.
As memórias que o tema solta... Essa dos alemães a lavar no tanque, sempre pensei que eram tanques de guerra... ou referes-te aos alemães da Borraceira? Não tenho presente essa cena. Mas que os homens também iam á fonte é claro, para beber e andar pois aí quem mandava eram as mulheres e conversa de mulher na fonte, não há homem que conte.
saudações verdes.
Atentamente.
At Ento

ViveVersa disse...

Eram mesmo os alemães da Borraceira. Deve haver mais quem se lembre daquela fase da sua chegada a Parambos e das reacções dos da terra.

Anónimo disse...

É bom ver aquele contador subir e ver como um fontanário consegue conter tantas histórias.
Saudações leoninas.

Atento disse...

Olá caro Anônimo.
Sejas sempre benvindo.
Sabes como é que se diz? quem conta um conto...o contador anota. Mas estamos surpreendidos com as visitas. Também temos amigos que nos divulgam nos seus blogs, como o Ansiães aventura; o descobnrir Vila Flor.
Mas não falamos de um fontenário qualquer, é o nosso FONTENÁRIO, que desperta memórias. Não nos contas que memórias te desperta a ti?
Saudações verdes.
Atentamente. At Ento

Li Malheiro disse...

Olá conterrâneos.
Estou a ver que o Fontenário tem a frescura das memórias e dizem que a água as lava levando. O nosso Fontenário é depositário de momentos que alimentam o imaginário. Eu retenho um momento, em criança, nós podiamos cirandar no meio das mulheres, quando no Verão se ficava a ver a água correr quase a conta gotas, havia uma moçoila toda atirada na faladura brejeira, e anedotas de corar, que dizia para a torneira quando chegava a sua vez " bota! bota pra Carrazeda!" enquanto fazia um gesto que fazia as mulheres, rirem umas e outras murmurarem: Estas moças d´agora...
Agradeço o destaque do meu trabalho, é um óleo sobre tela e já foi pintado no século passado. Ainda havia o Negrilho.
Respondendo ao XO-OX, um dia destes pego outra vez nos pincéis. Ainda retenho a aventura no S Lourenço e os apontamentos em Pastel sobre papel, que é feito do esboço que aí fizes-te?
Para todos um abraço.
Li Malheiro

Daniel disse...

Pois é, que saudades do tempo em que tudo acontecia no chôpo, os jogos da pedra, do cinto, o 20.. 21..22, as peladinhas que se jogavam à noite...a água que se bebia do fontanário nos intervalos.
A água que se ia buscar para o forno...tudo isto acabou, o negrilho já se foi, o forno já fechou, a água não se pode beber, e os jogos de agora já não são os mesmos...as crianças preferem a Play-station ou os jogos de computador...tudo é diferente.
Inté
Daniel

Atento disse...

Olá Daniel.
"do tempo em que tudo acontecia no Chôpo" Expressão linda esta que aplicas para abrir a porta de algumas memórias que são tuas e desse lugar. Tuas e de quem as viveu, brincando, contigo ou vendo brincar, como os mais velhos ficavam ali recordando os seus tempos nas vossas brincadeiras. Eu acrescento o esconde esconde ou os "cobóis", eram tantos os lugares à volta do Fontenário, do Negrilho e nos Canelhos próximos.
E o Forno! Ao escrevê-lo ainda sinto o cheiro e a azáfama da festa da Páscoa, ah! os Folares.
Obrigado por teres recordado para nós as tuas memórias de um lugar que era o centro, O Chôpo.
Inté para ti também.
Um Abraço.
At Ento

Daniel disse...

Olá Atento
As minhas memórias não são tantas como as tuas...até a minha mãe conta historias do forno onde tu estavas presente, de tempos bem dificeis...sim porque nem tudo era um mar de rosas, eu felizmente não passei por isso mas imagino as dificuldades pelas quais algumas familias passaram.
Inté
Daniel

Atento disse...

olá Daniel.
O ser mais velho não é ter apenas mais idade. claro que a grande diferença está em ter mais memórias. Agora os tempos são outros. Mas ainda te lembras de haver escola em Parambos? Vês como os tempos mudam! Já agora, que será feito de net que havia na extinta escola? Os tempos mudam mas este blog ainda não chega aos mais velhos que vivem cá na aldeia.
As memórias do Forno davam uma enciclopédia. É um desafio que fica.
Um grande inté pari ti.
Atentamente.
At Ento

Helder Seixas disse...

Olá, já que falamos em fontanários, que é feito das pedras da Pia" do Fundo do Povo?
Alguém sabe delas, não seria bonito voltar a colocá-lo no devido sitio?
e porque não restaurar os restantes da Aldeia, cumprimentos para todos

Atento disse...

Olá Helder. Benvindo o nosso presidente do Sporting Clube de Parambos.
"As pedra da pia" bem pensado, era nas pias que se dava de beber ao gado, o Fontenário era para as pessoas. Havia váris até pelos caminho, onde houvesse fonte tinha junto a pia para os animais.
Devemos questionar os que tem dirigido politicamente a nossa aldeia, a sua retauração era um factor de memória e só enobrecia quem o realizasse. Que esta ideia não se apague.
Um abraço verde leonino.
Atentamente
At Ento

J.Rebelo disse...

Boas

O Forno... e quando "apareciam" umas galinhas,a maior parte das vezes era no forno que elas davam o seu ultimo suspiro,uns traziam o vinho,outros o pão e outros é claro,a musica,muitas das vezes a musica ficava a cargo de um famoso aparelho,que tinha por nome "bate-o-pé" que até dentro do forno(literalmente)ele tocava,éra bailarico até de manhã.Será impressão minha mas éra uma altura em que o tempo passava mais devagar.
E os famosos bailes de fim-de-semana no clube,era só alguem se lembrar que passado uns minutos já havia musica a chamar o pessoal, e passado algum tempo estava o clube cheio.Era no tempo em que estas pequenas coisas tinham grande valor e davam animo as pessoas.
Agradeço ao blog,porque durante uns minutos fiquei 20 anos mais novo.
Como diz o Daniel
Inté

Atento disse...

Benvindo J Rebelo.
"...Era no forno que elas davam o seu último suspiro..." É lindo este momento de recordar coisas vividas tão intensamente que até parecia que o tempo parava. Obrigado por teres registado aqui a tua emocionante memória. Agora é também nossa e sem idade pois somos todos mais jovens quando recordamos a juventude. Ai, ai! os bailes do clube, a tua expressão tem musicalidade dos momentos cheios de presença e gente que dançava quando havia música, agora trazem a música agarrada às orelhas, mas ainda dançam.
Continuamos a contar com a tua visita e lembranças.
Um grande intè.
Atentamente.
At Ento